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APRESENTA...

O Desafio das 3 questões! #2
2 questões que já caíram no ENEM 
mais uma aposta inédita!

 

1) ENEM 2017 | Linguagens

Canção: Fim de Semana no Parque (Racionais MCs) (1994)

🎵 ENEM PLAY
> ESCUTE A CANÇÃO

Fim de semana no parque
Olha o meu povo nas favelas e vai perceber 

Daqui eu vejo uma caranga do ano
Toda equipada e o tiozinho guiando
Com seus filhos ao lado estão indo ao parque [...] 

Automaticamente eu imagino 

A molecada lá da área como é que tá 

Provavelmente correndo pra lá e pra cá 

Jogando bola descalços nas ruas de terra 

É, brincam do jeito que dá [...] 

Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo 

Pra molecada frequentar nenhum incentivo 

O investimento no lazer é muito escasso 

O centro comunitário é um fracasso

 

(RACIONAIS MCs. Racionais MCs. São Paulo: Zimbabwue, 1994 (fragmento).)

 

A letra da canção apresenta uma realidade social quanto à distribuição distinta dos espaços de lazer que

 

A) retrata a ausência de opções de lazer para a população de baixa renda, por falta de espaço adequado.
B) ressalta a irrelevância das opções de lazer para diferentes classes sociais, que o acessam à sua maneira. 

C) expressa o desinteresse das classes sociais menos favorecidas economicamente pelas atividades de lazer. 

D) implica condições desiguais de acesso ao lazer, pela falta de infraestrutura e investimentos em equipamentos. 

E) aponta para o predomínio do lazer contemplativo, nas classes favorecidas economicamente; e do prático, nas menos favorecidas.

🎯 Tema: 

Desigualdade social, segregação urbana e o direito desigual ao lazer.

 

💡 Objetivo de aprendizagem: 

Analisar a canção como crítica social que evidencia a segregação espacial e a falta de investimento em infraestrutura nas periferias.

 

✅ Gabarito: D 

👉 A canção estabelece um contraste entre o lazer de luxo e o lazer improvisado, apontando a falta de infraestrutura e o escasso investimento público nas periferias como causa da desigualdade de acesso ao lazer.

 

🧩 Conceitos-chave:
Desigualdade Social: distribuição injusta de bens e oportunidades (incluindo lazer). Segregação Urbana: separação socioespacial que concentra a infraestrutura nas áreas ricas. Lazer como Direito: O lazer é um direito social fundamental, mas de acesso desigual. Crítica Social no Rap: A música como instrumento de denúncia da realidade periférica.

 

❓Por que as demais estão incorretas (foco nos distratores):

(A) Ausência total: Falso. O lazer existe, mas é precário (ruas de terra), não totalmente ausente. 

(B) Irrelevância do lazer: Falso. O lazer é claramente relevante para ambos os grupos, que buscam se divertir. 

(C) Desinteresse: Falso. A "molecada" está ativamente "correndo" e "jogando bola", demonstrando interesse. 

(E) Predomínio do tipo de lazer: Falso. A crítica central é a disparidade na qualidade e na infraestrutura disponível, não apenas no estilo da atividade (prático vs. contemplativo).

 

📚 Texto de apoio: 

"Fim de Semana no Parque" é um documento poético sobre a desigualdade social. Ao criar um contraste entre o lazer no "clube" e o lazer improvisado "nas ruas de terra", os Racionais denunciam a segregação urbana e a negligência do poder público. A falta de equipamentos esportivos e comunitários é a prova de que o Direito à Cidade — que inclui lazer e infraestrutura de qualidade — é distribuído de forma injusta no espaço urbano. Em 2025 os Racionais ganharam o título de Doutor Honoris Causa na Universidade de Campinas (Unicamp) e sua produção continua sendo assunto de vestibulares e dissertações acadêmicas. "Mano a Mano" é um celebrado podcast comandado por Mano Brown.

3) ENEM 2019 | Ciências Humanas

Canção: Paratodos (Chico Buarque) (1993)


🎵 ENEM PLAY

> ESCUTE A CANÇÃO

O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro

CHICO BUARQUE. Paratodos. 1993. Disponível em: www.chicobuarque.com.br. Acesso em: 29 jun. 2015 (fragmento).

A característica familiar descrita deriva do seguinte aspecto demográfico:

A) Migração interna.
B) População relativa.
C) Expectativa de vida.
D) Taxa de mortalidade.
E) Índice de fecundidade.

 

🎯 Tema:
Dinâmica Demográfica, Migração Interna e Formação da Identidade Nacional Brasileira.

 

💡 Objetivo de aprendizagem:
Relacionar a mobilidade populacional (migração interna) ao longo das gerações como um fator histórico-geográfico na constituição da identidade brasileira.

 

✅ Gabarito: A 

👉 A sequência de origens estaduais dos ancestrais ("paulista," "pernambucano," "mineiro," "baiano") ao longo das gerações demonstra o deslocamento contínuo de pessoas dentro do território brasileiro, o que é definido como Migração Interna.

 

 

🧩 Conceitos-chave: 

Demografia: Estudo da população (incluindo migração, natalidade, mortalidade). Migração Interna: Movimento de pessoas entre regiões ou estados dentro do mesmo país. Identidade Nacional: Caráter forjado pela mistura de diferentes regionalidades e fluxos populacionais.

 

❓Por que as demais estão incorretas (foco nos distratores):

(B) População relativa: Falso. Refere-se à densidade demográfica (população/área), o que não está relacionado ao local de nascimento dos ancestrais. (C) Expectativa de vida: Falso. Refere-se à longevidade média. O foco do texto é a origem geográfica, não a idade ou o tempo de vida. (D) Taxa de mortalidade: Falso. Mede o número de óbitos. A canção não apresenta dados sobre mortalidade, mas sobre a mobilidade. (E) Índice de fecundidade: Falso. Mede a média de filhos por mulher. A canção não apresenta informações sobre o tamanho das famílias, apenas sobre a origem espacial.

 

📚 Texto de apoio: 

A canção "Paratodos" resume poeticamente um fenômeno histórico-geográfico marcante: a intensa migração interna no Brasil. Movimentos como o êxodo nordestino para o Sudeste (especialmente a partir dos anos 1950, em busca de industrialização e melhores condições) são ilustrados pela linhagem do eu lírico. Chico Buarque sugere, assim, que a identidade "artista brasileiro" é o resultado da fusão de múltiplas regionalidades, demonstrando a importância da mobilidade populacional na formação cultural do país. Chico Buarque é o cantautor que mais marcou presença em questõs com letra de música no ENEM. Ao todo foram impressionantes, 14 canções! Por isso acreditamos que é uma boa ideia ouvir Chico Buarque! A nossa aposta neste material é a canção Angélica. Confira a seguir.

3) Essa é uma aposta do ENEM Play Brasil!

Canção inédita: nunca caiu no ENEM, mas...

Canção: Angélica (Chico Buarque)(1981)

🎵 ENEM PLAY
> ESCUTE A CANÇÃO

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

 

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar

 

Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

 

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar

 

(Chico Buarque - Miltinho)

 

A canção "Angélica" estabelece uma profunda relação intertextual com o drama da estilista Zuzu Angel na busca pelo corpo e pela memória de seu filho, Stuart Angel Jones, vítima da repressão da Ditadura Militar no Brasil. A figura da "mulher" que canta, permeada pela dor e pelo lamento, simboliza, no contexto histórico e literário da canção, a:

 

A) A figura bíblica que, em um sacrifício maternal, aceita o destino trágico do filho, resignando-se diante da violência do Estado.

B) A mãe brasileira que, isolada em seu sofrimento pessoal e desvinculada de lutas sociais, utiliza a canção para um desabafo íntimo.

C) A personificação do luto social e da resistência política, transformando a dor individual da mãe em um grito coletivo contra os crimes e o silêncio impostos pelo regime ditatorial.

D) O arquétipo da sereia que, com seu canto melancólico ("escuridão do mar"), convida os ouvintes a esquecerem os traumas do passado em nome da pacificação nacional.

E) A representação alegórica da justiça que, ao "dobrar um sino", anuncia a condenação e a punição dos agentes estatais responsáveis pelas violações dos direitos humanos.

 

🎯 Tema:
Arte e História; Luto e Memória na Ditadura Militar; Símbolo e Alegoria.

 

💡 Objetivo de aprendizagem: 

Analisar a canção como alegoria e crítica política, reconhecendo a transformação da dor individual (a mãe) em um símbolo de denúncia coletiva contra o autoritarismo.

 

✅ Gabarito: C 

👉 A canção estabelece uma intertextualidade com a luta de Zuzu Angel. A "mulher que canta" simboliza o luto que se torna público e político. A dor individual da mãe é elevada a um grito coletivo de resistência e um clamor pela memória dos desaparecidos, confrontando o silêncio e o terror impostos pela Ditadura.

 

🧩 Conceitos-chave: 

Intertextualidade: Relação com a história de Zuzu Angel e Stuart Angel Jones. Alegoria/Símbolo: Uso da figura da mãe sofredora para representar a resistência política. Ditadura Militar: Contexto histórico de repressão e desaparecimentos forçados. Memória e Verdade: A arte como ferramenta para combater o esquecimento e buscar a justiça.

 

❓Por que as demais estão incorretas (foco nos distratores):

A) Resignação: Falso. O lamento ("tormento", "suspira") e a busca por descanso ("agasalhar meu anjo") demonstram insurgência e dor ativa, não aceitação passiva.
B) Desabafo íntimo/Isolamento: Falso. O caso Zuzu Angel é um marco de denúncia pública e luta social internacional, contrariando a ideia de sofrimento isolado.
D) Esquecimento/Pacificação: Falso. A canção, ao lembrar o "tormento", tem o propósito oposto: manter a memória viva e denunciar o trauma. 

E) Concretização da justiça: Falso. O foco da canção é o luto e a denúncia no presente da composição, não a representação do veredito judicial finalizado.

 

📚 Texto de apoio: 

"Angélica" é um poderoso ato de memória política. Dedicada à estilista Zuzu Angel, que enfrentou a Ditadura Militar na busca pelo filho Stuart Angel, a canção utiliza a figura da mãe em luto como um símbolo. A pergunta repetida ("Quem é essa mulher?") e o lamento são formas de personificar a dor nacional e a resistência contra o terrorismo de Estado. A arte, neste caso, funciona como um veículo essencial para romper o silêncio e eternizar o drama dos desaparecidos políticos. Zuzu Angel, uma das estilistas de moda mais importantes do Brasil, já apareceu em questão do ENEM 2017 e acabou de "cair" de novo em uma questão do vestibular da Unicamp 2026. Chico Buarque é o campeão de questões com música no ENEM (14 vezes!) e acreditamos que pode continuar aparecendo, por isso a aposta nesta canção. Aliás, Chico Buarque e sua esposa na época, a atriz Marieta Severo, eram amigos íntimos de Zuzu e foi pra eles que ela deixou o último bilhete, pouco antes de ser assassinada em um acidente de carro forjado, por estar incomodando os ditadores ao procurar seu filho Stuart, morto e desaparecido nas mãos de militares em 1971. É uma das histórias mais tristes e violentas da ditadura no Brasil.

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